Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre. (Clarisse Lispector)
LAM... Lamentável Angustiante Moçambique(2)
LAM... Lamentável Angustiante Moçambique
Chegada ao aeroporto, faço o o check-in e fico (como é hábito) à espera que o avião que me vai levar a Nampula, chegue.
Uma breve explicação para que compreendam este fenómeno: os aeroportos em Moçambique, assemelham-se às paragens de autocarros (em Portugal por exemplo). Chegam, lá de onde vêm, atestam de combustível e passageiros e toca a andar, numa versão "non-stop". Isto já por si é assustador. Saber que estes aviões são do tempo da outra senhora... enfim... a chamada roleta-russa sem arma.
Adiante...
O meu avião (como é hábito), chegou meia hora atrasado. Com a paragem necessária para abastecimento de combustível e ao que parece uma espécie de manutenção, fomos chamados para embarcar com uma hora de atraso.
Quando ia a entregar o meu bilhete a senhora hospedeira de terra estabelece comigo o seguinte diálogo:
Ela: "A senhora tem o lugar 16B?"
Eu: "Sim, tenho."
Ela: "Queria pedir-lhe um grande favor. Esta senhora e este menino foram colocados no cockpit mas não são permitidas crianças lá. Tou a pedir se pode trocar com eles, só até à Beira?"
- Isto enquanto a senhora e a criança olhavam para mim com um ar desesperado de como quem vai ficar em terra.
Eu (que tenho mania de se armar em boazinha): "Está bem, eu troco".
Neste processo foi envolvido ainda outro passageiro e lá seguimos os dois para o cockpit do avião.
A todos que acalentam o sonho de viajar na cabine com o piloto aviso já que o espaço é reduzido e a cadeira nada confortável. Além disso, é frio que se farta e tive que aprender a usar uma máscara e conseguir fazer o procedimento necessário com a mesma em caso de emergência.
Foi tipo um mini ensaio, em que me disseram que se o comandante sacasse da sua máscara, eu teria três segundos, para fazer o mesmo.
Ora... três segundos não me pareceu muito tempo mas nem me atrevi a perguntar o que aconteceria se eu demorasse um segundo a mais.
(pensei) - Pronto, deixa lá curtir esta cena então. Olha tantas luzes e botões que giro!!!
Os pilotos fazem lá as cenas deles e toca de arrancar. Eís que estamos já no fim da pista, prestes a levantar vôo, quando umas luzes acendem e soam uns apitos. O senhor comandante diz para o co-piloto: vamos abortar isto.
(pensei) - Vamos abortarrrrr o quê?!?!? Oh cum caraças!!! As luzes acesas dizem "low oil level" e são uma data delas. Bolas, mas por que raios aceitei eu vir aqui?!?!
Voltamos para trás e ficamos todos dentro do avião enquanto a equipa de manutenção tenta reparar o raio das luzes.
45 minutos depois dizem que está resolvido e vamos seguir viagem. Lá vou eu para a cabine, outra vez. Nada descansada e já sem achar piada nenhuma à coisa.
Fazemos a viagem até à Beira e à excepção de uma das luzes ainda dizer "low oil level", correu tudo bem.
Na Beira, sai-se sempre do avião por meia hora, para sairem os passageiros que ficam por lá e para entrarem outros.
Ligo ao meu colega a dizer que dentro de 45 minutos pode ir para o aeroporto em Nampula esperar por mim.
E agora vem o resto do pesadelo que vou tentar relatar de forma abreviada para não maçar nínguem.
- Entramos no avião e seguimos para Nampula.
- Chegados lá, o senhor comandante diz que não podemos aterrar devido ao mau tempo. Temos de voltar para a Beira.
- Chegados à Beira, também não podemos aterrar devido à chuva tropical intensa. Temos de ir para Quelimane.
- Em Quelimane, dizem-nos para sair do avião e deixam-nos em terra. Sem nada para comer ou beber, ficamos ali cerca de 2 horas sem nos dizerem nada. Por essa altura já todos os passageiros tinham contactado com Nampula, de onde vinha a informação de que já não chovia e que sim, a chuva foi forte mas só demorou meia hora.
Por volta das 4h da manhã, mandam um dos assistentes de bordo falar com os passageiros. Depois de tanta espera, a LAM decidiu que vamos entrar todos no avião, apanhar uns passageiros na Beira e voltar para Maputo.
O QUÊ?!??!?
Isso mesmo. Estamos a meia hora do nosso destino e querem-nos levar 2 horas para trás de volta a Maputo.
Foi a confusão total. As pessoas gritavam e todos se recusaram a entrar no avião. Queriamos ir para Nampula, mas ao que parece a LAM estava pouco se lixando para isso. Com apenas dois aviões para serviço, um dos quais parado com este embróglio, a vertente comercial é para eles mais importante e pouco importou o facto de a bordo estarem cerca de 15 crianças, metade das quais viajava sózinha.
Como nos recusámos a voltar para trás. A LAM, através do seu pessoal de bordo, resolveu dizer que iriamos então até à Beira, onde providenciariam um hotel para descansarmos até resolverem a nossa situação.
Com este argumento, conseguiram que todos os passageiros entrassem no avião.
Mas a LAM mentiu. Chegados à Beira, dizem aos passageiros originários de lá para sairem, sobem outros passageiros a bordo e dizem que vamos para Maputo.
Passei-me. E perante o ar de “quero que se lixe” do pessoal de bordo a todas as perguntas que eram feitas, exigi sair do avião. Estava farta e cansada de tanta falta de profissionalismo e desrespeito pelos que dão dinheiro a ganhar à LAM.
Às 6h da manhã de Sábado e quase doze horas depois de ter iniciado esta epopeia, eu já nem queria saber de Nampula. Queria mesmo era descansar.
Saí mesmo do avião, eu e mais outro português, o Daniel.
Infelizmente o povo moçambicano é pacato e sereno e aceitaram voltar a Maputo, onde ao que sei tiveram que esperar sentados no aeroporto até às 14h para viajarem de novo para Nampula. Haja paciência!!!
Eu e o Daniel e os passageiros originários da Beira, fomos para o hotel e dormimos. Acordámos, almoçámos e vimos um pouco da Beira. Ao menos descansámos.
Foi o melhor que fizemos pois o vôo das 20h30 que nos devia levar a Nampula, só veio à 1h de Domingo, com a notícia de que ainda iríamos à Beira, buscar outros passageiros retidos.
Chegada a Nampula às 3h da madrugada.
Desculpem-me o português... mas puta que pariu a LAM.E o que me irrita mais nisto, é que não me resta alternativa a não ser continuar a voar com esta espécie de companhia aérea.
Por terem o monopólio do mercado e além de serem uma bela porcaria, praticam os preços que querem (o meu bilhete ficou em 14.000 meticais, qualquer coisa como 560 USD ou 400€), para prestar esta bela merda de serviço.
O vôo em questão era o TM 4006 com partida Maputo às 19h20 e chegada a Nampula às 22h10. O avião é mesmo este da foto.
A LAM que me aguarde, que isto não fica por aqui.
Acho que é mais ou menos... nada
Segue, enquanto perdemos tempo.
Enquanto o gastamos sem saber porquê, sem saber como.
Acontece uma vez vez, acontece duas vezes, acontece...
E quando damos por ela, aconteceu mais uma vez.
De tudo o que poderia ter acontecido...
Nada.
Das perspectivas iniciais...
Um grande hiato.
O que por si não é mau, nem é bom...
Não é nada.
Sigo em frente.
Será que o defunto percebe?
Conversas com o sexo oposto(7)
Ele: Eu também vou dormir. Também não aguento mais.
Eu: Também estás cansado?
Ele: Não. Estou com gases.
Calma
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